• ---
  • Máx: ?
  • Min: ?

  • ---
  • Máx: ?
  • Min: ?

Município

Imigrantes

Publicado em 14/11/2014 às 08:19 - Atualizado em 19/02/2019 às 10:39

No Brasil, a imigração se fazia necessária, para providenciar braços para as fazendas de café, proibidas de usar escravos e também para dar impulso às colônias do Sul.


Uma nova lei das colônias brasileiras e o contrato Caetano Pinto vieram solucionar a crise do desenvolvimento da sociedade italiana, que estava liberando milhares de trabalhadores.


O contrato tornou o Brasil conhecido nas zonas rurais: terras a preços baixos e viagem gratuita atraiam a vanguarda daquela imigração. 
Até 1850, a província de Santa Catarina era habitada apenas em Desterro e algumas localidades no litoral. A floresta virgem cobria praticamente todo o seu território que ainda era habitado por índios e animais selvagens. Em 1872 possuía uma população estimada em 159.800 habitantes.


As viagens pelo mar sem as mínimas condições de higiene, alimentação péssima à base de carne de porco salgada, batatas e pão velho, fez com que muitos pagassem com a vida. Aglomerações demasiadas eram normais. Em navios com capacidade para trezentas pessoas, eram colocadas, muitas vezes até oitocentas. O desespero tomava conta principalmente dos que viajavam com crianças. Vários foram os navios que perderam a rota vagando por meses pelo mar, parando até no estuário do rio Amazonas.


Os navios a vapor demoravam, em média, um mês e os à vela, dois, para fazerem a travessia. Partiam dos portos de Marselha ou Bordeaux na França, Gênova ou Trieste na Itália e Hamburgo na Alemanha. Havia ainda a parada alfandegária obrigatória no Rio de Janeiro e às vezes, o desembarque de imigrantes no Espírito Santo, São Paulo e Paraná, antes de chegarem ao porto de Itajaí. O transporte até a colônia de Blumenau era feito pelo rio Itajaí por canoas a remo. Na colônia eram acomodados em barracões de madeira sem janelas onde permaneciam até serem conduzidos aos lotes destinados. Os homens partiam na frente para a derrubada da mata e construção de choupanas feitas de troncos de palmito e a cobertura de folhas de guaricanga.


A condução das famílias da sede da colônia até o destino era feita por carroças até Timbó, em picadas abertas pelos próprios colonos que recebiam pagamento do governo pelos dias trabalhados. Depois a pé ou por canoas.


Levavam consigo, muitas vezes apenas a roupa do corpo, pois as bagagens, não raramente, extraviavam-se nos navios. Antes de partir muniam-se, por norma da própria colônia, das ferramentas essenciais como: foice, enxada, machado, facão, serrote, martelo, pregos, espingarda e alguns utensílios de cozinha, pagos com serviços prestados na abertura de estradas.


Embrenhados na mata virgem, cujos segredos nunca ninguém havia desvendado, imponente, ao mesmo tempo a esconder a terra e o céu; habitada por índios e uma rica fauna de animais, desde feras, como onças, belas aves, como araras e tucanos, espécies peçonhentas, como cobra coral, jararacas e aranhas, e ainda animais de ótima carne para a alimentação como, antas, cervos, várias espécies de tatus, pacas e macacos, além das aves como araquãs, perdizes e inambus.


É de se compreender que esta riquíssima fauna tenha sido dizimada em poucos anos; primeiro pela necessidade de sobrevivência e segundo pela ignorância do próprio colono que com a arma na mão atirava em tudo o que se movia. Existem relatos de caçadas que num só dia foram mortas 140 antas, animal que pode atingir 150 a 180 kg quando adulto. Em muitos casos, na falta de munição usava-se até sementes duras de certas plantas em substituição ao chumbo.


Era preciso adaptar-se depressa ao novo mundo; mudar costumes e tradições seculares. A estreita unidade do homem com o ambiente físico tinha sofrido um choque tão grande que conduziu muitos à desintegração emocional. Porém a religiosidade e o isolamento, sem contato com outros grupos, afastaram-os do perigo e desenvolveu entre eles uma solidariedade muito grande. Todos se ajudavam mutuamente; sofriam e regozijavam-se junto das suas tristezas e alegrias.


Sofreram de doenças comuns como a anemia (mal da terra) e feridas nas pernas, geralmente causadas por alergias a picadas de insetos. Morreram de febre amarela, tétano e outras febres desconhecidas. O agravamento ocorria por falta de assistência médica, que era substituída por benzedeiros recitando orações e fórmulas milagrosas. Cada doença previa um ritual particular.


Os primeiros meses nas choupanas foram extremamente difíceis, pois nada conheciam do novo ambiente. Porém, após acostumarem-se com as frutas, plantas comestíveis como o palmito, peixes e animais de caça, a comida era abundante e ficou para trás a página negra da fome. Não foram muitos os anos de angústia, pois uma vez melhorada a casa, derrubada a mata para as plantações, iniciada a criação de animais domésticos, acostumando-se com o novo ambiente, a vida daquela gente, construída com suor, sofrimento e saudade, melhorou muito. 
As capelas foram surgindo ao lado das primeiras choupanas nos terrenos adquiridos pelos colonos ou doados. Sua construção priorizava até mesmo a construção das próprias casas. As obras muitas vezes superavam as possibilidades econômicas da comunidade e em poucos anos foram surgindo construções tão gigantescas, que até hoje são consideradas exageros. Em meio a humildes casas de madeira e chão batido, ergueram-se capelas de tijolos e com grandes vidraças. Geralmente nos lugares mais altos, lembrando os castelos medievais da Europa. 
As primeiras escolas introduzidas pela igreja tinham cunho essencialmente religioso. O ideal era a santidade e não o progresso, a glória de Deus e não o bem estar social, enfim a manutenção do poder eclesiástico.


Passados os primeiros tempos, na nova terra, onde tudo era novo e o importante era sobreviver, começou-se a pensar em fazer suas terras produzirem. Após aprender sobre a época de derrubadas, plantio e tipos de culturas adaptadas ao clima, os primeiros produtos cultivados foram colhidos: milho, mandioca, cana-de-açúcar, café, taiá, cará, laranjas, arroz e banana. Mais tarde com a criação de cooperativas que negociavam com países europeus, começou-se a cultivar o fumo, que durante muitas décadas foi a principal fonte de renda de muitas famílias. Alguns tiveram êxito também com o bicho-da-seda e o cultivo de videiras. As famílias procuravam manter uma ou duas vacas para suprir as necessidades do leite e derivados, porcos para extração de banha - única fonte de gordura usada na cozinha, o toucinho e a carne da qual se fazia a lingüiça e os defumados. Além de aves como galinhas, patos e marrecos. Cavalos e mulas eram animais indispensáveis para o difícil deslocamento, porém nos primeiros anos constituíam-se privilégios de poucos.